Muitas vezes, quando escrevemos um artigo, ele nada mais é do que reflexo de questionamentos que estamos nos fazendo naquele momento. Talvez este aqui seja um desses e, confesso, devo estar me tornando um velho rabugento, porque tem hora que nem eu me aguento.

Em um grupo de amigos, eu comentava sobre os últimos artigos que tinha escrito para o site da Famíliacomvida. Uma das amigas comentou: “Meu, você só escreve sobre as limitações dos outros. Por que você não escreve sobre suas limitações? Cara... Você é um chato”.

Depois dessa, proponho fazer aqui algumas reflexões sobre ambos os lados do chato. Primeiro, acho o chato um cara legal, porque ele nunca tem a intenção de fazer mal a ninguém.

Às vezes, ele pode ser um pouco inadequado, incoerente, mas sempre tentando agradar. Em outros momentos, ele é muito falante, mas nada que chegue a ser irritante.

Na mesa de bar, entre um papo e outro, ele procura mostrar que entende de economia e política global, mas, geralmente, colhe informações fragmentadas em noticiário virtual.

No entanto, há de se concordar que fica mais complicado aturar sua chatice quando ele tenta falar difícil e bancar o intelectual com teorias e teses baseadas em leitura de jornal.

Pode ser pior quando o chato resolve dar uma de crítico de cinema e teatro. Quando perguntado qual a fundamentação de seu ponto de vista, ele responde, na maior tranquilidade, que se baseou em uma síntese no caderno de cultura de algum grande jornal.

Tem também o chato acadêmico. Aquele que passa no vestibular e se torna universitário. Poucos meses depois já está defendo dissertações de mestrado e tese de doutorado, sem terminar o ano letivo oficial.

Fala sério: o chato é ou não é um cara legal?

Sim. O chato é um cara legal. Pense comigo: se você está em apuros, não é ele que sempre tem uma ideia genial, que não cai bem, mas também não faz mal?

Ele é sempre muito engraçado e não suporta ninguém de baixo astral. Com suas tiradas e histórias bem-humoradas transforma um ambiente em um festival.

Às vezes banca o “bobo da corte” mesmo sem querer só para o amigo não sofrer.

Sempre se coloca no sacrifício, como bonzinho, só para não perder a amizade do vizinho.

Tem uma festa para organizar? Ele sempre se dispõe a ajudar, somente para tentar agradar.

Todo chato é um misto de político, economista e intelectual, o que faz de suas gafes e piadas a alegria geral.

O chato geralmente tem conta no Youtube, possui vídeos na internet e fala com vários amigos no Watshap, dizendo que está “pegando total”. Mas quando a galera o aperta dizendo que vai apresentar-lhe uma “menina legal”, ele pula fora e diz que não está a fim porque não quer compromisso oficial.

O chato é ou não é um cara genial?

É um sujeito simples que faz parte da população em geral. Ele só quer agradar e, por vezes, extrapola na sua chatice por não saber a medida de sua meninice.

O chato, quando tem uma DR (discutir a relação), e ai o bicho pega legal, pede desculpa e atribui o seu nervosismo a uma crise pessoal.

A verdade é que de chato e louco todo mundo tem um pouco, mas, o importante no final, é que pessoas que se amam têm seu diferencial.

Não sei, mas desconfio que ser chato é um estado de espirito. Digo isto porque já vi muita gente que acorda legal, trabalha e estuda durante o dia, dando o melhor do seu potencial, e na hora de dormir, algumas vezes se dá conta de que sua prática laboral tornou sua vida robotizada, pois, no dia seguinte, no trabalho a mesma rotina se repete.

Apesar disso, levanta de alto astral.

O chato é ou não um cara que merece o reconhecimento nacional?

No final, o que posso afirmar é que ser chato é uma fase. Você ainda não passou por essa etapa infernal? Então reze e, quando ela chegar, peça para seus amigos que te acolham nesta fase sazonal, pois, até que se prove o contrário, não existe uma vacina que garanta imunidade total sobre a chatice do homem, esse ser animal.