Em geral, quando pensamos em mudanças, sentimos um desejo imediato, quase natural, de permanecer na “zona de conforto”, justificado pela psicologia do senso comum com expressões como: “em time que está ganhando não se mexe”; “é melhor o certo do que o duvidoso”; “mais vale um passarinho na mão do que dois voando”.

É melhor esperar. Quem sabe amanhã as coisas melhorem...

Esse grupo de pessoas acredita que, após longos anos de promessas e expectativas, algo mágico resolverá suas questões pendentes do passado.

De modo geral, esses indivíduos vivem muito mais no mundo dos desejos e fantasias do que da realidade, aguardando que obstáculos sejam superados independentemente de suas ações. No entanto, eles não mudam suas atitudes, comportamentos e percepções sobre os fenômenos do passado que tanto causaram e causam dor.

Com o passar do tempo, essas situações doloridas, por permanecerem inalteradas, tendem a se cristalizarem, desencadeando sintomas de desesperança, um terreno propício para o desenvolvimento de distúrbios emocionais, doenças autoimunes e psicossomáticas.

Para que mudar minha vida? Não está como eu gostaria, mas está melhor do que mereço.

De modo geral promover mudanças de comportamento quase sempre traz um ônus, ou seja, um preço a ser pago.

Na maioria das vezes, quando mexemos ou rompemos com a nossa “zona de conforto”, esse movimento tende a desencadear resistências, ao ponto de reprimirmos o desejo de mudar, por causa do preço a pagar por essa mudança.

Para melhor compreensão desse tema, extremamente subjetivo e complexo, vamos fazer uma analogia com o cardápio de um restaurante, comparando-o ao processo de mudança comportamental.

É de conhecimento de todos que, ao nos acomodarmos em uma mesa de um restaurante, recebemos o cardápio com o que é servido na casa. Em geral, a lista dos pratos fica à esquerda e a dos preços à direita. Imagine que estamos em um restaurante bem-sucedido no ranking da gastronomia, com os mais diversos pratos finos, glamorosos e caros.

Essa relação de custo/benefício é um jargão muito usado no mundo corporativista, implicando a famosa lei universal ”tudo na vida tem um preço”.

Em nossas vidas não é diferente. Quando queremos mudar algum tipo de comportamento, existe o preço a pagar, ou seja, o de abandonar velhos hábitos e padrões comportamentais viciados, deixando-os para trás.

É nesse momento que geralmente surgem certos desconfortos prejudiciais a nossa vida pessoal, conjugal, familiar, profissional ou social.

Quase sempre ouvimos alguém dizer: “pior do que está não pode ficar”

De um modo geral, a vida é um emaranhado de experiências. Algumas são boas, outras, dependendo da percepção de cada um, podem ser traumáticas, porém, não deixam de ser fonte de aprendizagem. Manter-se na “zona de conforto” para evitar os incômodos e dores é semelhante a ter visão e se negar a enxergar.

Em um restaurante bem colocado no ranking gastronômico, os pratos constantes do cardápio são caros. Então, imagine o preço que você está pagando quando não muda determinados comportamentos e atitudes viciados que prejudicam a sua qualidade vida.

Pensando nisso, que tal fazer uma avaliação de você mesmo? Como anda a sua resistência a mudanças? Em uma escala de 0 a 10, no ranking de qualidade de vida e de padrão de felicidade, qual nota você se dá hoje?

Boa sorte!