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Pode parecer impossível, mas ainda existem pessoas que acreditam que dá pra viver desconfiando de tudo e todos.

Confiar é viver. Confiar é entregar-se, o que significa acreditar no próximo, mesmo que ele não seja do seu convívio.

Quando não confiamos no outro, vivemos um mundo isolado, cercado de fantasmas que nós mesmos construímos a partir das experiências que experimentamos.

Muitas dessas vivências são traumáticas e deixam nossos corações e mentes suscetíveis e vulneráveis, gerando medo do abandono, sentimentos de desamparo e desproteção, que nos marcam para a vida inteira.

Essa névoa que se instala em nós acaba por nos impedir de enxergar o outro na sua essência. No lugar disso, o vemos através de lentes doloridas, carregadas de mágoas, ressentimentos, ódio, raiva e desamor. Com essas lentes contaminadas, torna-se impossível cultivar o amor próprio, quanto mais o amor ao próximo.

Pessoas desconfiadas são ansiosas, reativas, defensivas e, em alguns casos, agressivas. O mundo está contra elas, a culpa é sempre do outro. Sentem-se injustiçadas. De modo geral, criam estratégias para atuar na vida, apresentando-se de forma gentil, harmoniosa, compreensiva, mas os seus atos e atitudes são sempre calculados e controlados. Usam jargões do tipo “o seguro morreu de velho” ou “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Em nome da “confiança”, alegam que são seguros e conservadores em excesso, pensando no bem-estar do outro. No entanto, escondem o medo de mostrar suas vulnerabilidades e fragilidades, inclusive deixando de falar o que realmente pensam e sentem.

As experiências clínicas mostram que essas pessoas criam estratégias para sobreviver em algum momento marcante da vida e, posteriormente e inconscientemente, desenvolvem armaduras emocionais, que passam a utilizar de forma patológica, do tipo “eu confio, mas só até a primeira página”. Pessoas desconfiadas não crescem emocionalmente, permanecem imaturas e infantis, em geral passam a vida dando “voos rasantes”. Não se entregam às relações, sejam elas interpessoais, conjugais, familiares ou profissionais. Têm medo de ousar, não arriscam, procurando controlar todas as variáveis possíveis e imagináveis, o que as deixam inseguras, ansiosas e quase sempre obsessivas.

Confiança é mesmo coisa de “gente grande”, que acredita nos seus atributos e qualidades porque tem autoestima elevada. Que se sente competente para encarar a vida, mesmo com obstáculos e circunstâncias inerentes à condição do aprendizado, crescimento e desenvolvimento emocional e espiritual.

Pessoas que aprendem com os erros e não temem o fracasso ou o insucesso. Que caem e levantam, por mais complicado que seja.

E você, será que é “gente grande”? Vamos testar?

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Agora, lembre-se de momentos em que você precisou da atitude do outro para realizar alguma coisa ou para compartilhar sentimentos e vivências pessoais. Indivíduos que você conhece bem ou que não são tão próximos. Dê nota para cada situação com base na sua forma de percebê-las e avalie até que ponto a falta de confiança nessas pessoas pode prejudicar as suas relações e o seu desenvolvimento pessoal, afetivo e profissional.

Sempre é tempo de se rever e aprender. Por isso, estamos aqui para ajudá-lo a fortalecer sua maturidade emocional. Você merece!

Lembre-se: não confiar no próximo é com dirigir a própria vida com o “freio de mão puxado”.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Confiança é coisa de “gente grande”
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