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Em terra de pessoas imaturas emocionalmente, ampliar muito a elasticidade das emoções é como dar munição para o inimigo. Esperar reconhecimento e gratidão de quem só quer receber, e não aprendeu ainda a doar, é como achar “agulha no palheiro”.

Quando imaginamos que as pessoas com quem convivemos deveriam perceber o óbvio, o que estamos pedindo é que elas enxerguem através dos nossos olhos.

Esse é o máximo da flexibilidade possível para um coração dilatar, só para não nos decepcionarmos. Fato é que as pessoas que têm o “coração dilatado”, ao ponto de as “fibras cardíacas” quase arrebentarem, possuem um potencial de tolerância ilimitado. Embora desejem ser boas, acabam usadas e tratadas como ingênuas ou bobas.

Por outro lado, para fugirem de conflitos, “ficar bem na fita”, não entrar no papel do vilão (ã), elas bancam a vítima para conseguir o que querem, uma postura que, aparentemente, preserva a paz e a harmonia, mas, ao mesmo tempo, tende a  trazer um mar de decepções.

De um modo geral, essa situação encontra terreno fértil no coração de pessoas pouco assertivas, com muita dificuldade de dizer “não”, donas de uma autoestima muito baixa e que esperam aceitação e reconhecimento excessivos do outro. Não percebem que esse outro é extremamente infantil e não valoriza ou percebe o amor incondicional que recebe.

Porém, existe uma dúvida sobre essa dinâmica: amar incondicionalmente e excesso de tolerância tornam os corações elásticos ou os corações se dilatam para engolir a quantidade de “sapos” das pessoas amadas?

Vale lembrar que o amor incondicional se caracteriza por um sentimento sem limites, em que vale tudo, inclusive abrir mão do “eu”. Já o amor condicional está alicerçado em limites, na assertividade, no afeto e carinho, sem permissividade.  Nas diversas dinâmicas interacionais, esticar demais as “fibras elásticas” do “coração” pode, em alguns casos, gerar danos irreversíveis às pessoas que amamos.

Essa forma de amar descomedida e desconectada da realidade, normalmente, tem origem nos padrões emocionais apreendidos com nossos familiares. Ouvimos que precisamos sempre ter paciência, tolerância, solidariedade, dar bastante afeto, carinho e amor. No entanto, muitas vezes nos esquecem de alertar que amar demais faz mal a nossa saúde orgânica e mental/emocional e, também, daqueles que cuidamos.

Um exemplo: se a criança nasce em uma família que tem predisposição a obesidade e os pais ou cuidadores não sabem distinguir o que é uma alimentação saudável, oferecendo tudo à criança, esse é um jeito de amar prejudicial.

Então, como saber se o seu coração está elástico demais nas suas relações interacionais?

FAÇA ESTE EXERCÍCIO

Observe 3 a 5 ganhos secundários que você sente conseguir durante, aproximadamente, um mês. Perceba quando abre mão daquilo que “sente” e “pensa” para “não ficar mal na fita”. Veja se esses ganhos se repetem muito. Se sim, cuidado! Você merece se dar carinho, porque as “fibras elásticas” do “coração”, quando dilatadas, podem “necrosar” por causa de “microinfartos emocionais”, gerados pelas decepções. Nestes casos, as fibras geralmente não se restabelecem mais.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Coração elástico: um mal que causa decepções
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