“Gato escaldado tem medo de água fria”.

Este ditado muito conhecido traduz o sentimento de uma boa parte das pessoas. Ou seja, quando sofremos algum trauma, nas próximas situações similares, ficamos em estado de alerta.

Se pensarmos bem, para sobreviver a diversas circunstâncias, previsíveis ou imprevisíveis, tal postura de defesa se justifica como parte de nosso instinto de preservação. Ao mesmo tempo, o uso desmedido dessa defesa, em situações na família, no casamento, com amigos e nas relações profissionais, ou seja, andar com o “freio de mão puxado” sempre para evitar todo e qualquer sofrimento, pode gerar uma autossabotagem pouco saudável ao desenvolvimento pleno.

De modo geral, pessoas que andam com o freio de mão puxado regulam suas ações vitais pela média. Ou seja, são pessoas que não querem se arriscar, nem ousar. Elas tentam controlar todas e quaisquer situações que estão vivenciando ou que acham que irão vivenciar. Convivem com um grau de ansiedade terrível, muito mais focadas no futuro do que no dia a dia.

Tal atitude pode ter origem em traumas experimentados em suas famílias de origem, com pais, avôs, tios, primos e, também, em relacionamentos amorosos e profissionais, passando a desconfiar de tudo e de todos.

Tentam se blindar dos sofrimentos, inerentes aos que estão vivos, o que os leva a não entrega nas relações, sejam elas quais forem. Há vários casos de homens e mulheres que sofreram abusos emocionais dos pais. Daí que muitas não querem se dedicar totalmente ao casamento, ao parceiro, por exemplo, com medo de sofrer novamente. Outro exemplo é a pessoa que presenciou a infidelidade do pai ou da mãe. Quando se relaciona, mantém o freio de mão puxado, porque desconfia do parceiro ou da parceira e prefere ficar numa relação superficial para evitar um, quem sabe, sofrimento da mesma origem.

Não é ruim ser gato escaldado. Ninguém quer sofrer. Mas deixar de viver novas experiências de forma mais tranquila e entregue pode gerar outro problema sério: frustração que leva ao descontentamento, à infelicidade. Ou seja, vale a pena viver com intensidade, usando o bom senso.

Agora é com você: como tem guiado os seus relacionamentos amorosos, familiares, interpessoais e profissionais? O “freio de mão” está puxado para não se entregar e evitar sofrimentos conhecidos? Ou você está arriscando e ousando, nos limites que sua estrutura emocional lhe permite e que seu bom senso te inspira?

Seja sincero (a) com você mesmo (a) e viva a vida de maneira intensa. Com certeza os possíveis sofrimentos serão bem trabalhados se você entender que fazem parte e que ninguém cresce sem eles.

Boa sorte!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Você vive suas relações com o “freio de mão puxado”?
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