Não costumo assistir à televisão, mas existem alguns desenhos animados pelos quais tenho certo apreço, como o Gasparzinho, aquele fantasminha camarada, que só quer conversar e brincar com as crianças, mas acaba por assustá-las. Você deve estar se perguntado: “Mas o que isso tem a ver com este artigo?”. Pois te respondo: tem tudo a ver.

A arte de transformar necessidade em reconhecimento tem origem, na maioria das vezes, nos “fantasmas familiares”. Aqueles que carregamos em nossas vidas e que nascem a partir de experiências traumáticas vividas em nossa infância, adolescência ou vida adulta.

Você deve ter conhecido pessoas que vivem fazendo média com ex-marido ou ex-esposa, ex-noivos e ex-namorados, só para evitar maiores conflitos. Pois saiba que evitar certos conflitos é uma das “poções mágicas” para transformá-los em “fantasmas”.

Na vida profissional, por exemplo, tem aquele que faz de tudo, ficando até doente, só para agradar seus superiores, indo além de seus limites físicos e mentais. O medo e a insegurança com relação à perda do emprego se transformaram em verdadeiros “fantasmas”.

Sejam nas dinâmicas familiares, conjugais, na vida pessoal ou interpessoal e profissional, a necessidade de reconhecimento pode se transformar em uma armadilha e acaba acontecendo especialmente com quem se sente inseguro, desprotegido, desamparado, abandonado e, em certos casos, rejeitado por quem deveria, na verdade, cuidar e amar (pais e outros adultos de referência), na infância e adolescência.

O reconhecimento, na idade adulta, é um tipo de compensação para essas carências afetivas. O uso excessivo e doentio do trabalho muitas vezes desenvolve um grau elevado de inteligência cognitiva e de perfeccionismo que fortalecem na pessoa a ideia de que é um “semideus”.

Usar esses escudos de reconhecimento para alimentar a carência pode gerar dívidas emocionais, conferindo à pessoa uma falsa identidade com base no êxito profissional, material e financeiro e, às vezes, na intelectualidade. Como tais necessidades advêm de carências afetivas de outra ordem, o resultado é que a “conta” não fecha. Quanto mais trabalho, mais dinheiro, mais acúmulo de bens materiais e de um intelecto primoroso, mais a pessoa se afasta do ”vazio“ que deseja preencher – e que vai ficando cada vez mais vazio.
Gasparzinho, o fantasminha camarada, é um exemplo de preencher esse “vazio”, já que “fantasmas” nunca deixaram de existir, então, transformá-los em “camaradas” acaba sendo uma maneira de conviver com esse espaço oco interno.

Mas como assumir uma identidade verdadeira e saudável? É preciso um trabalho intenso de reconciliação, de perdão, com tentativas de aproximação, ressignificando algumas interpretações equivocadas que nos machucaram. Enfim, é preciso construir novas leituras de nossas vidas. Esse empenho é necessário, porque os fantasmas não nos deixam crescer, avançar, e nos atormentam.

Como você está com seus fantasmas? Se eles existem, procure identificá-los e transformá-los em fantasminhas camaradas. Melhor fazer as pazes com eles, porque são parte da sua história, você querendo ou não. Se para fazer isso sozinho é complicado, nós podemos te ajudar. Temos experiência em lidar com “fantasmas” de todo o tipo. É só entrar em contato!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

 

Como exterminar fantasmas do passado ou transformá-los em “gasparzinhos”