Nada de errado com o fogo, um dos quatro elementos que, segundo filósofos e pensadores da antiga Grécia, compõe os pilares básicos do universo: água, fogo, terra e ar. Graças ao fogo, a humanidade evolui e construiu ferramentas para sobreviver.

Mas, como você já sabe, na madrugada de 1º de maio, um incêndio destruiu um prédio de 24 andares habitado por pessoas humildes, invisíveis à sociedade. Várias são as especulações sobre a tragédia anunciada. Todos sabiam e sabem que o fogo pode se transformar em um elemento perigoso, colocando em risco vidas humanas e a Natureza.

Em geral, negligências causadas pela cegueira social são responsáveis por tragédias como essa, vitimando cidadãos (Sim, eles também são cidadãos como eu e você!) que vivem de forma degradante e desumana em espaços de miséria e descaso.

Infelizmente, na nossa cultura, sustentada por “zonas de conforto”, as pessoas só conseguem se mexer, olhar para o lado, quando incidentes como o do prédio acontecem, levando à tona a enorme hipocrisia social que nos faz sentar em cima de situações humanas caóticas, como as das pessoas que não têm onde morar. Portanto, era preciso um incêndio daquela proporção para que feridas e mazelas sociais fossem iluminadas e as autoridades e a mídia se sensibilizassem com tal episódio.

Comentários e julgamentos sobre o fato também deixam claro um lado humano triste, que compõe nosso tecido social falido, em que solidariedade, acolhimento e compaixão pelo próximo estão cada vez mais distantes.

Quando o fogo se torna um elemento destruidor, várias mãos invisíveis estão por trás da manipulação dessa tragédia, em busca de bens financeiros, frutos da repugnante avareza, ganância, corrupção, ou seja, uma luta de classes pelo poder, inclusive com atitudes de movimentos sociais que, no caso dessa tragédia, cobravam aluguel de pessoas miseráveis, sem terem a propriedade do imóvel em questão.

Em momentos como este, percebe-se o mau uso das interações humanas em uma sociedade competitiva, cega e destruidora, mais preocupada em transferir ao outro a responsabilidade de cuidar dos menos favorecidos, fomentando a velha forma de “tirar o corpo fora”.

Diante de tudo isso, eu te faço um convite.

O mesmo que me fiz no dia 1º, depois que soube do ocorrido.

Pense bem sobre estas questões e seja honesto com você mesmo ao respondê-las:

Seja feliz, é o que te desejo. Mas não se esqueça: viver em uma sociedade egoísta e desumana vai minar a sua felicidade. Por isso, faça diferença. Comece a transformar o que não é bom a sua volta mudando o que não é bom em você.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Incêndio no Largo do Paissandu: as chamas da cegueira social anunciada
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