No reino dos animais irracionais, existem dois fenômenos muito utilizados quando eles querem fugir, atacar, atrair ou seduzir seus (suas) parceiros (as): o mimetismo e a camuflagem.

Isto posto, quero discutir a influência de mulheres fortes na vida de homens imaturos, fazendo um paralelo com as fêmeas e os machos dos camaleões. O contexto dessa analogia são os casos de mulheres polivalentes que, inconsciente ou conscientemente, acabam nutrindo parceiros imaturos e irresponsáveis. Acabam, também, adaptando-se e moldando-se a situações desconfortáveis, de desvalorização e desqualificação, tudo para manter relacionamentos amorosos que, na maioria das vezes, são prejudiciais a ambos.

Esse tipo de relação é o que chamamos de complementar, ou seja, essas mulheres necessitam de parceiros imaturos e vice-versa para se sentirem “bem”. Camufladas, como faz a camaleão-fêmea, de fortes e polivalentes acabam por exercer funções e papeis que não são seus, como ajudar os parceiros a encontrar emprego ou resolver uma pendência financeira, prejudicando-se.

Algo como emprestar o cartão de crédito para o companheiro não “passar vergonha” na hora pagar um conta no bar. Atitudes que, no fim, só alimentam a imaturidade dos “meninos camaleões”, camuflados de homens adultos. Já as “meninas/adultas” disfarçadas, quando são convidadas a exercer algum papel na vida dos companheiros imaturos, não pensam duas vezes, tornando-se poderosas, versáteis e, algumas vezes, chegando até a imaginar que fazem milagres na vida do outro.

Algumas assumem o lugar de mãe dos parceiros, sendo extremamente tolerantes com as peraltices e traquinagens dos “meninos camaleões”. Perdoam mentiras, infidelidades, justificam que são assim por conta da criação que receberam. Também são boas psicólogas, orientando e dando conselhos sobre como seus “meninos” devem se cuidar.

Outra situação comum é aquela em que os parceiros imaturos precisam de segurança. Eles contam histórias de decepções amorosas, do medo de sofrer de novo, acionando gatilhos emocionais das poderosas mulheres polivalentes, que se colocam como salvadoras perfeitas, prometendo coisas que não podem cumprir, por exemplo, nunca decepcioná-los, não machucá-los, sendo “mágicas” a ponto de resolver problemas antigos, criados antes mesmo de seus parceiros terem chegado à vida delas.

Se você é ou conhece alguma mulher que vivencia um relacionamento em que acaba bancando o papel de mulher forte e polivalente, camuflando seus verdadeiros sentimentos e engolindo “sapos”, seja para manter aparências, seja por medo de sair dessa situação e ter de encontrar-se, olhar para si, proponho algumas reflexões:

  • Analise a sua história com seu parceiro atual e a história de sua família de origem (pais, irmãos, avôs, tios e primos). Em ambas, reflita sobre quando você experimenta certas situações. Por exemplo: você e seu namorado combinam de fazer uma viagem que sempre foi o seu sonho. Você compra as passagens, reserva o hotel e… Dia antes de ir, ele fala que não vai mais, porque tem que trabalhar ou porque está deprimido ou porque tem o aniversário de um primo ou amigo. Você decide ir ou vai ficar para apoiá-lo?
  • Nas questões afetivas, sobre sofrimento alheio, de uma pessoa que você gosta, você assume responsabilidades que não são suas? Tipo ser mãe de seu parceiro, no lugar de namorada ou esposa; ou mãe de seus pais no lugar de ser filha?

Se você quer ter um relacionamento autêntico com as pessoas com as quais convive, não camufle seus sentimentos, caso contrário, a imaturidade do (a) seu (sua) parceiro (a) se tornará o véu que encobrirá a importante necessidade de você se enxergar e entender as suas dificuldades. Um véu que pode impedir o seu crescimento emocional. Pense a respeito e boa sorte!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

 

Quando mulheres fortes alimentam a imaturidade dos parceiros
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