Dedico um tempo significativo da minha vida pessoal e profissional tentando compreender o padrão de funcionamento mental das pessoas. Tal dedicação, por vezes, me deixa inquieto. Não é simples entender o que um ser humano espera do outro.

Exemplo disso é a experiência que vivenciamos com a Copa do Mundo, espetáculo que mobiliza e reúne boa parte da população mundial em bares, casas, estádios para assistirem aos jogos.

Quantas vezes vemos a quebra de regras no campo, por motivos duvidosos?

O que me intriga é justamente saber que os mesmos que estipulam as regras (ou concordam com elas) são os que as burlam ou as desobedecem em prol de si mesmos. Assim como nos jogos de futebol, as dinâmicas familiares e conjugais, nas devidas proporções, são regidas por contratos e regras anteriormente combinados.

Todos sabem que as partidas de futebol obedecem a um calendário, com intervalos e períodos entre as competições. Isso significa que a convivência entre os jogadores não é na mesma intensidade do que a das famílias, já que são poucos os intervalos de solidão plena entre casais, pais, mães, filhos.

Entender a necessidade humana de quebrar ou burlar regras de convivência é um passo para compreender o padrão de funcionamento mental das pessoas. Pense comigo: se tudo está como o combinado, não há porque ter conflitos, nem inquietações mentais. A partir do momento em que uma regra é quebrada, gera conflitos que, na verdade, podem se transformar em fontes inspiradoras e de desenvolvimento, crescimento e evolução.

É humano quebrar regras, assim como faz parte da competição os desafios, a ousadia e a inquietação. Porém, quando no futebol, nas famílias e nos casamentos os jogos se tornam competições desonestas, perversas, nos quais os parceiros deixam de ser considerados adversários de uma convivência limpa e autêntica e passam a ser vistos como inimigos, para prevalecer resultados favoráveis a qualquer custo, a competição vira guerra. O tal do “salve-se quem puder”.

Tem sido assim no futebol, nas famílias, nos casamentos e nas relações interpessoais e profissionais. Virou praxe ver, na Copa do Mundo, jogadores saírem do campo machucados maldosamente pelos adversários. Não é muito diferente de um filho que agride verbalmente ou fisicamente um pai ou vice e versa. Ou quando um homem ou uma mulher transformam um (a) ex-parceiro (a) em objeto de retaliação e vingança, a ponto de cometer qualquer tipo de agressão, chegando até a morte.

Tem um ditado que diz: “o combinado não sai caro”. Se você joga bola ou pratica outro esporte qualquer, se é casado, tem família, amigos pessoais ou profissionais, é importante lembrar sempre que, nessa competição geral, se quisermos qualificar o dom da vida, deveríamos usar uma única regra: “o que não quero para mim, não devo desejar nem conspirar para meu próximo”. Dessa forma, todos saem vencedores.

Por isso, cuide com carinho e amor quem está ao seu lado, criando uma competição entre você com você mesmo. O objetivo? Ser um ser humano cada vez melhor. Cresça, se desenvolva e evolua, pois, no final, o grande vencedor é você diante da vida que escolheu para si.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

No futebol e nas famílias, regras valem para evoluir