O amor incondicional nunca foi um bom método para criar filhos. Pais se tornam super-heróis e os protegem das mais diversas situações que são inerentes à condição humana, como frustrações, rejeições, perdas, medos, inseguranças.

Transformar condições desfavoráveis ao nosso bem-estar em competências é necessário. Isso se dá quando internalizamos as diferentes vivências para que elas possam desencadear e gerar aprendizagem e resiliência, de forma direta ou indireta.

Pais superprotetores, que anulam o sofrimento dos filhos, acabam por impedir aprendizados essenciais de como lidar com situações adversas, sejam elas emocionais/mentais ou físicas.

Essa forma inconsciente de amar fragiliza os filhos, desmotivando-os a desejar algo básico como o que querem para si. Acabam vivendo o dia a dia sem qualquer sentido.

Pais protetores querem determinar, consciente ou inconscientemente, o futuro de sua prole com base nos próprios desejos. É comum uma mãe ou um pai que sofreu abuso emocional na infância ou adolescência proteger tanto seu (sua) filho(a), a ponto de essa criança não saber distinguir uma brincadeira de uma manifestação de bullying na escola.

Pais que passaram por sofrimentos psíquicos ou físicos, por necessidades emocionais ou materiais tendem a compensar seus filhos com excesso de proteção.

Muitas vezes a maternidade ou paternidade dá lugar à postura de super-heróis, levando crianças e adolescentes a viverem em uma “bolha”, sem vontades aspirações, propósitos e objetivos próprios – e com medo de arriscar.

São indivíduos que tendem a cultivar uma personalidade adormecida, inebriada, pouco sensível aos desejos e sentimentos do outro, como se este não fizesse parte de seu desenvolvimento.

Muitos pais protegem os filhos em excesso por não saberem o que desejam para si. Pessoas que não têm um projeto de vida, portanto, não deixam os filhos crescerem e evoluírem. Isto porque crescer e evoluir estão intimamente ligados a aceitar os desafios impostos pela condição humana. A vida não tem um roteiro pré-definido. Na verdade, ele precisa ser construído com base em nossos sonhos, desejos e necessidades pessoais – e nas relações com o outro.

O amor incondicional e a superproteção são “venenos” porque condenam os filhos a viverem “vazios” internos.

E você? Que tipo de amor recebeu de seus pais? Você tem sonhos e desejos próprios ou ainda está condicionado ao que eles ditaram? Por outro lado, se você é pai ou mãe, de que maneira ama seus filhos? Como se impõe nessa relação? Pense a respeito e lembre-se: sempre é tempo de ser um filho proativo e um pai ou mãe que ama na medida certa, apoiando o desenvolvimento dos seus!

Boa sorte!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Pais heróis, filhos vazios
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