Em uma roda de amigos, conversarmos sobre como é difícil e entediante a convivência com pessoas que não sabem o que querem fazer. Essas pessoas, na maioria das vezes, vivem de demandas e estímulos externos para se motivar e continuar levando a vida, sem nem mesmo saber para onde querem ir.

O desejo do outro é o seu desejo. Como se ter um desejo individual fosse proibido. Essas pessoas, geralmente, nem mesmo sabem do que gostam ou o que lhes dá prazer. Isto porque as áreas de lazer e prazer foram desativadas, fazendo o que fazem por fazer. Verdadeiros “tarefeiros das emoções”.

Quando indagadas a respeito, sobre suas preferências, acabam por não ter o que dizer, porque não pensaram a respeito, na verdade. E o que fazem ou gostam de fazer quando estão sozinhas? “Nada, porque não gosto de ficar sozinha (o)”.

Também sentem muita dificuldade em expressar o que sentem, de falar sobre suas emoções.

Pessoas assim precisam de um alerta. Porque quando deixamos de desejar e passamos a viver os desejos do outro, ou somos estimulados e motivados pelo que acontece somente no mundo externo, acabamos funcionando como um semáforo de rua desligado, ou seja, não reconhecemos mais o que significa o sinal vermelho, que indica perigo; o amarelo, que avisa para ter cautela; e o verde, dando passagem livre.

Viver o prazer no desprazer também é uma forma de não se comprometer com as nossas escolhas, nos isentando dos compromissos e das responsabilidades. Viver no desprazer, apesar dos sofrimentos e dores, é uma postura que algumas pessoas aprendem ao longo da vida. Tudo para transformar medos em algo “conhecido”, menos ameaçador, no lugar de ousar e arriscar, de desejar algo que achamos não saber como lidar.

No meu consultório, pergunto para alguns pacientes quais são seus planos e projetos para os próximos dois anos. De modo geral, eles respondem o que pensam para o trabalho, os filhos, a (o) esposa (o), bens que querem adquirir, um curso que pretendem fazer. Claro que tudo isso é importante, mas chamo a atenção para a ausência de desejos individuais que, quase sempre, não são prioritários. Normalmente, depende do desejo de fazer o outro feliz ou concluir um projeto de trabalho e estudos para que o seu desejo possa emergir de alguma forma.

Viver sem desejar é como caminhar sem saber para onde ir. Existe uma dose cultural na nossa existência de que a vida deve ser acrescida de algum sofrimento. Cientificamente, essa máxima nunca foi provada. A cultura impulsiona, porém, crianças e adolescentes a abrirem mão de seus desejos individuais em suas famílias de origem, desde muito cedo, pelos mais diversos motivos (para evitar conflitos, para serem politicamente corretos, para se sentirem amados e aceitos). Isso leva, quando adultos, a desconhecer os próprios desejos. .

Neste caso, fica outro sinal de alerta. Isto porque, quando adultos, podem ser facilmente manipulados, influenciados e desenvolvem baixa autoestima. Acabam por não se manifestarem nem lutam para impor as suas vontades. Em algumas situações, chegam a sofrer abusos emocionais, maus tratos, violências verbais e físicas, desrespeito, bullying.

Também, em certos relacionamentos interpessoais, conjugais, familiares ou profissionais, são desvalorizados, podendo chegar ao ponto de desenvolver distúrbios mentais/emocionais e doenças psicossomáticas.

Caso você se identifique com situações semelhantes a estas, faça o seguinte: crie uma tabela, no formato de uma cruz. Do lado esquerdo, coloque a palavra “créditos”. Do lado direito, a palavra “débitos”. Durante quinze dias, toda vez que tomar uma atitude priorizando o desejo do (a) companheiro (a), de familiares ou colegas de trabalho, passando por cima do seu desejo, marque um ponto na coluna dos “ débitos”. Quando você respeitar os seus desejos, coloque um ponto na coluna dos “créditos”. Ao final desse período, verifique se está com mais débitos ou créditos. Depois reflita sobre o resultado para saber se você tem deixado fluir seus desejos pessoais ou se ainda se pauta no que o outro quer e gosta.

Se precisar de nossa ajuda para mudar o rumo das coisas e viver com base no seu prazer, é só entrar em contato! Estamos aqui! Boa sorte.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Prazer no desprazer: o perigo de viver o desejo do outro
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