Uma amiga manifestou o desejo de tirar um ano sabático, ou seja, parar de trabalhar para viajar, repensar a vida. Confesso que fiquei preocupado, afinal, ela é do tipo que trabalha “14 horas” por dia. Perguntei como faria isso e minha amiga comentou que pretende parar no dia 31 de dezembro. Ou seja, no badalar do ano novo, ela dirá para seu corpo e sua mente: “Estamos fechados para balanço. Vocês não terão mais a carga que carregaram até ontem”.

Vale ressaltar que mudanças comportamentais repentinas e bruscas nem sempre fazem bem ao corpo e cérebro. A transição e a preparação para um ritmo novo são necessárias para se evitar uma espécie de “choque térmico”.

Assim também são os relacionamentos com namorados (as), amigos (as), esposos (as), familiares e colegas trabalho. Muitas vezes, o que as pessoas querem e desejam é incompatível com a realidade das experiências emocionais que vivenciaram até então em suas famílias de origem – a bagagem que carregam.

Quando desejamos nos relacionar com qualidade urge fazer uma revisão nas nossas vidas para compreender se o que estamos pedindo a nós mesmos e ao outro é real e não está fincado do mundo das idealizações. Um exemplo é a pessoa que se casa com alguém calmo, tranquilo. Inconscientemente foi a escolha para não reviver episódios de agressões verbais e físicas que presenciou entre seus pais, sendo também agredida, às vezes. Dá para entender que é mais coerente escolher um (a) namorado (a) para casar que ajude a construir um lar sem brigas. No entanto, para evitar qualquer tipo de conflito, essa pessoa não se coloca, não diz o que pensa, não contrapõe o que o parceiro ou a parceira quer. Diz sim para tudo, com o objetivo de não reviver as angústias das experiências passadas. É uma forma de colocar as feridas, que ainda estão entreabertas, embaixo do tapete, transformando essa relação em algo cuja base é o desejo e não a realidade.

A neurociência tem mostrado que enxergarmos o mundo a partir de nossas experiências. Os olhos captam os objetos por meio da retina e o mecanismo cerebral ajuda a traduzi-los. Quem nunca viu um tucano ou uma rosa não sabe reconhecê-lo.

Por isso, um relacionamento verdadeiro só é possível quando nos reconhecemos e encaramos as vivencias nas famílias em que nascemos e fomos criados. Quem corre do passado se assusta com o presente e não se reconhece no futuro.

Se você quer saber se seu atual ou futuro relacionamento é compatível com suas experiências anteriores, sem fantasias, faça o seguinte teste: identifique as três maiores dificuldades que você viveu com seus pais, avôs, irmãos, tios, primos ou cuidadores, que afetam você até hoje, como verdadeiros fantasmas. Pense, para cada um, em uma solução possível a fim de que esses traumas não afetem sua relação e não façam você viver em um mundo idealizado.

Caso você precise exorcizar seus fantasmas, procure um profissional. Pode me procurar, porque sei como ajudá-lo.

Desejo sucesso no seu relacionamento, que começa a ser verdadeiro quando há uma reconstrução do passado. Ou seja, a realidade vivida por você hoje, no presente.

Boa sorte!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

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