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A flexibilidade afetiva é a capacidade de a pessoa aprender sobre seus sentimentos e emoções na interação como outro. Aprender no sentido de internalizar as experiências vividas, ao observar, identificar e compreender o que aquela conversa, aquele toque, abraço, beijo ou até mesmo uma relação sexual transmitiu algo especial ao seu organismo, tanto físico como mental. Algo semelhante aos filmes românticos, em que a mocinha acha que o primeiro beijo vai fazê-la erguer o pezinho ou um fará o sininho interno tocar.

A flexibilidade afetiva caiu em desuso nos dias de hoje, a partir da excessiva racionalização patológica potencializada por um processo de intoxicação causado pelas mídias digitais. Sem contar com a avalanche desenfreada dos oráculos de autoajuda que levam pessoas a planilhar suas vidas pessoais e profissionais, criando verdadeiros climas de paranoias e um grau de ansiedade exacerbada, podendo desencadear fobias ou até mesmo a síndrome do pânico. Afinal, não é humano se preparar para o futuro com premissas e pressupostos apenas baseados em pensamento positivo.

Na tentativa de controlar totalmente a vida, muitas pessoas ficam enrijecidas, perfeccionistas, com uma saída pronta embaixo do braço ou no aplicativo, para qualquer eventualidade. A receita dos gurus nunca falha. Mas, se algo der errado, foi porque você “não soube” interpretar a lição.

As pessoas que não têm flexibilidade afetiva vivem mais no futuro do que no presente. Pacientes nos consultórios terapêuticos, quando solicitados para nomear o que sentem ou quais as emoções vivenciam com quem estão interagindo, muitas vezes respondem “não sei” ou “nunca pensei nisso”.

Pessoas inflexíveis afetivamente tornam seus parceiros invisíveis.

Um indivíduo nobre aprende sobre si a partir do outro, o que requer gratidão e humildade para reconhecer que, assim como todos, é um ser incompleto e em constante aprendizado e evolução. Ser nobre é ter capacidade de flexibilizar-se afetivamente frente ao outro, para ajudar a desvendar os “pontos cegos” da alma (o psique) aos quais, sozinho, não se tem acesso.

Ser flexível afetivamente é pedir às pessoas que você nomeou para conviver (em sua vida interpessoal, conjugal, familiar e profissional) a apontarem suas mazelas, seus defeitos, incoerências, deslealdades, infidelidades… Enfim, as questões que você não gosta de ver em você mesmo. Exemplo: se é uma pessoa orgulhosa ou agressiva, possivelmente deveria compreender que essas características não agradam ninguém. Por isso, peça ao (a) seu (sua) parceiro(a) para te ajudar quando estiver  se comportando dessa forma.

A flexibilidade afetiva não é algo novo. Desde bebê passamos a desenvolvê-la com nossas mães e pais e eles aprendem conosco.  No entanto, o processo de socialização de crianças, adolescentes e adultos, em uma sociedade competitiva e racional como a nossa, muitas vezes é considerado descartável e não produtor de pessoas de sucesso. Em outras palavras, aprender sobre nossos sentimentos ou emoções com o outro, para muitos, seria perda de tempo, uma vez que tudo que precisamos nós encontramos no Doctor Google. Você acredita nisso também?

Para saber se você vai contra a maré e possui a qualidade de aprender com o outro para ser tornar uma pessoa cada vez mais nobre, responda as seguintes  questões, assinalando a alternativa que mais condiz com sua forma de pensar:

PESQUISA

Reflita sobre cada resposta, sinceramente, e perceba o que você quer para você de hoje em diante: um ser nobre ou um indivíduo medíocre?

Lembre-se: sempre é tempo para aprender a se flexibilizar diante da vida, olhar para o lado e perceber que, neste momento, alguém precisa e também quer doar um abraço.

Interaja, viva, celebre!

Viver é se reconhecer a partir do outro.

Quer se conhecer mais e ser uma pessoa cada dia mais nobre? Entre em contato conosco, que podemos te ajudar.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Ser flexível: qualidade de pessoas nobres