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Na parte 1 deste artigo, começamos a discutir o que significa o casamento nos moldes “gaiola de ouro” e como as histórias experimentadas nas famílias de origem podem interferir na dinâmica relacional do casal. Caso queira ler a parte 1 deste artigo clique AQUI.

Pois muito bem: ao trabalhar terapeuticamente essas armadilhas relacionais vividas pelos casais, ressaltamos que essas são “prisões antigas”, isto é, esposo e esposa podem trazer, em suas bagagens históricas, algumas questões não resolvidas. Isso significa que não se tornaram prisioneiros engaiolados a partir do casamento e, sim, na convivência com suas famílias de origem.

Em geral as formas que aprisionam os cônjuges começam na infância, adolescência e permanecem na vida adulta, e durante o casamento podem ser potencializadas. Um dos fatores que contribui para aliviar, minimizar e libertar os cônjuges dessas prisões é a conscientização de que é possível exercer a liberdade individual, mesmo estando em um relacionamento conjugal.

Em outras palavras, sentir-se livre para viver sua autonomia e liberdade pessoal não é necessariamente incompatível com o casamento, pois tudo depende do contrato estabelecido entre os cônjuges.

As assombrações do passado

Dentro desse contexto, não é raro encontrarmos casais presos em suas “gaiolas de ouro”, tentando fugir dos “fantasmas familiares” que transmitem os conflitos emocionais não resolvidos das gerações anteriores.

Os “fantasmas familiares” perpetuam-se por meio das crenças, segredos, mentiras, mitos e principalmente pela repetição desses conflitos emocionais não resolvidos.

Uma das maneiras mais utilizadas pelos cônjuges para fugir dos referidos fantasmas é a aquisição de bens materiais ou o desenvolvimento da intelectualidade como uma forma de reparar as feridas e as sequelas emocionais vividas na tenra infância.

Em alguns casos, pode ocorrer que os cônjuges, ao alcançarem novo status social, econômico e intelectual e, ao mesmo tempo, o ápice de suas carreiras profissionais, reclamem da “sensação de vazio”.

Com o passar do tempo, eles descobrem que, ao correr atrás do “ouro”, se afastam de um “brilhante não lapidado”, ou seja, o seu mundo de emoções composto por uma parte lúdica, rica, criativa e uma parte recheada de conflitos emocionais ainda sem solução. Em outras palavras, quando esposo e esposa resolvem fugir dos sofrimentos emocionais experimentados em suas famílias de origem, eles estão, na verdade, fugindo de si mesmos.

Esse processo de fugir das dores emocionais tentando compensá-las com a aquisição de bens materiais ou pela intelectualidade faz parte de um mecanismo de autossabotagem, que influencia a dinâmica dos relacionamentos conjugais.

É comum ouvir as pessoas casadas proferindo frases como:

“Vou devolver esse marido ou essa esposa ao Procon (Serviço de Proteção ao Consumidor).

“Comprei uma Brastemp e me entregaram uma geladeira comum”.

Na parte 3, a última deste artigo, vamos falar dos casamentos que mais parecem teias de aranha. Confira.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 2

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