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Você vive uma dessas situações na sua relação? Conhece alguém que passe por isso? Quem sabe algumas das informações que quero compartilhar neste artigo possam contribuir para aliviar, minimizar ou libertar você ou seu amigo dessas formas aprisionadoras de parcerias conjugais, construídas especialmente nos períodos de crise.

Mas talvez você seja um afortunado e não vivencie nada disso. Se assim for, parabéns! Continue driblando as crises do seu relacionamento, pois, provavelmente, você é um artista ou um mágico. No entanto, caso seu casamento tenha se transformado em um emaranhado de armadilhas impossíveis e imagináveis, então seja bem-vindo ao mundo dos mortais.

Nem sempre o sonho de um casamento sem conflitos é possível, principalmente quando se trata de relacionamentos humanos. Na maioria das vezes, desejo e realidade são incompatíveis, raramente se tornam complementares.

Porém, não fique assustado ou triste. Saiba que os sentimentos de frustração, fracasso, rejeição e os desencontros diante nos relacionamentos são algumas das experiências que permeiam as dinâmicas conjugais.

É comum encontrarmos casais apaixonados que se declaram diariamente os mais sortudos do mundo: “Encontrei minha cara-metade, minha alma gêmea, meu par perfeito”. Então, caro leitor, é aí que mora o perigo. Isto porque o desejo e a realidade se sobrepõem, e é assim que se inicia uma procura pela completude, levando os cônjuges a uma “cegueira conjugal aprisionadora”.

A gaiola que aprisiona

O casamento “gaiola de ouro” aparentemente parece um modelo bem-sucedido. Quando acrescido de status social e econômico, melhor ainda, afinal, quem compara a vida conjugal a ouro é reconhecido e referendado pelos seus pares, já que ter uma relação no estilo “sonho dourado” faz parte da expectativa de todos os que se casam.

Alto lá! Não podemos esquecer que os cônjuges permanecem presos. É sempre bom lembrar que, apesar de ser de ouro, é uma gaiola, e quem está preso não pode voar para muito longe.

Ao utilizar a metáfora “gaiola de ouro” como um padrão relacional aprisionador dos cônjuges é importante compreendermos quando esse modelo de relacionamento começou a ser construído.

Muito provavelmente, os primeiros materiais conscientes e inconscientes usados para o início da construção da “gaiola de ouro” dos cônjuges fazem parte de suas histórias individuais trazidas das famílias de origem.

De modo geral, essas histórias carregam consigo algumas questões não resolvidas como: segredos, crenças, lutos não elaborados, conflitos com o pai ou a mãe, lealdades familiares.

As questões não resolvidas nas famílias de origem dos cônjuges têm a capacidade de transformar o material de primeira mão utilizado pelo casal durante o casamento em material de segunda, ou seja, as questões não resolvidas nas famílias anteriores contaminam o material usado para construir a “gaiola de ouro” que, na verdade, nunca foi de ouro, no máximo banhado a ouro, ou quem sabe de prata, bronze ou arame comum. Como olhar para tudo isso? Leia a segunda parte deste artigo e saiba mais.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Seu casamento é uma gaiola de ouro ou uma teia de aranha? – parte 1