Nestes tempos de impostos e taxas abusivas, resolvi conversar com você sobre outro tipo de conta que muita gente paga.

Quando nos unimos a alguém, seja para namorar, noivar ou casar, a relação acaba por gerar algumas cobranças e encargos. No trabalho, e até mesmo em amizades, também é comum isso acontecer.

Para exemplificar, compartilho um diálogo que tive com uma pessoa amiga. Ela me disse que andava chateada com o casamento. Sua parceira só gostava do lado bom desse amigo: “O que ela não sabe é que o meu ‘lado bom’ até eu amo. O meu’ lado ruim’ eu mesmo detesto”. Ou seja, nos relacionamentos, quem leva o bônus tem de levar, também, o ônus.

A palavra tributum significa imposto, taxa ou contribuição que o Estado cobra do povo. Já, nas relações afetivas, vivenciamos os tributos emocionais. A questão que levanto aqui é se o que estamos pagando em nossos relacionamentos mantém uma qualidade emocional recíproca, de trocas sadias, que devem permear as nossas dinâmicas familiares, conjugais, interpessoais e profissionais. Ou será que essas taxas viraram cargas pesadas para levarmos adiante?

Um exemplo: para conviver “bem” com um (a) parceiro (a), a pessoa precisa suportar vícios, violência emocional ou física, abusos, diretamente do (a) cônjuge ou de alguém da família, formada a partir dessa união. Neste caso, as “cargas tributárias” tornam-se pesadas demais e o pior: desencadeiam possíveis transtornos mentais e emocionais.

Qual motivo leva algumas pessoas a viver tributadas nos relacionamentos com familiares, casamentos, filhos e vida profissional? Vou responder de forma genérica, mas tenha a certeza de que é por aí: autoestima baixa, dependência do outro, sentimento de eterna “dívida” com o outro, necessidade de reconhecimento.

O que fazer para saber se os tributos, impostos ou taxas que se está pagando nos relacionamentos estão muito altos?

Proponho esta reflexão:

1. Pense na sua história. Faça uma retrospectiva e perceba como você se comportou emocionalmente, desde a infância, nos momentos em que se sentia inseguro (a), com medo, desprotegido (a) e desamparado (a), sem acolhimento.

2. Como você se “defendia” ou se protegia nesses momentos? Você se calava, aceitava tudo, dizia sim, mesmo querendo dizer não para abusos e negligências de quem estava com você? Deixou de expressar sentimentos e demonstrar emoções para não ser agredido ou rejeitado?

Para muita gente, o início da vida, com tantas carências emocionais, pode ter sido o começo de uma tributação sem fim, que leva à desconexão com o “eu”, criando uma enorme sensação de vazio. Os mecanismos de sobrevivência “soterram” as emoções para que se possam superar as dores da alma. Os tributos pagos, nesses caos, são demasiadamente altos: doenças emocionais, como fobias, síndrome do pânico; depressões (exceto as oriundas de predisposição biológica) e somatizações.

Nesses casos, greves não adiantam. Para preencher o vazio e voltar a se conectar, é preciso rever a história, quebrar ciclos e reacender emoções e desejos, amando-se mais. Não é uma tarefa simples e, dificilmente, possível de se assumir sozinho. Nessas horas, a ajuda profissional pode fazer diferença e trazer de volta a alegria de seu autodescobrir, consolidando uma autoestima capaz de traçar novos caminhos pela vida. Acredite: é deste combustível que todos nós precisamos.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Quais são os tributos que você paga nas suas relações?
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