Em tempo de crise nos relacionamentos, algumas perguntas são inevitáveis:

  • Como sei se ainda gosto dele (a)?
  • Será que o que sinto é mesmo “amor” ou é dependência?
  • A relação não anda bem, mas não sei viver sozinho (a). E agora?
  • Por que, de um modo geral, só escolho parceiro (a) que me usa ou me trata mal?
  • Como faço para não repetir esse mesmo erro em outros relacionamentos?

Pois bem. O objetivo deste artigo é levantar algumas reflexões e propor caminhos para aliviar, minimizar ou curar uma possível forma doentia de amar.

A complexidade que envolve as dinâmicas relacionais familiares, conjugais e interpessoais tem suas origens nas histórias familiares que construímos nas gerações anteriores. A forma de amar doentia é apreendida em contextos familiares desestruturados e patológicos, nos quais um dos membros da família é submetido a abusos emocionais, como: submissão, violência verbal e física, rejeição, desvalorização, desamparo e desproteção, dentre outros. Estes são componentes desencadeadores de autoestima baixa, autoimagem negativa acompanhada, geralmente, de um processo de falta de assertividade, ou seja, pessoa que não sabe dizer “não” e que, por se sentir desvalorizada, tenta sempre agradar o outro.

Isso significa que pessoas “viciadas” em amar são extremamente dependentes da aprovação do outro. Aceitam migalhas de amor e afeto para não ficarem sozinhas. Submetem-se a maus tratos e, ao final, acabam por perdoar e justificar as atitudes do (a) parceiro (a) agressor (a).

Consciente ou, na maioria dos casos, inconscientemente, essas pessoas acreditam que é melhor ficar ao lado de alguém, mesmo que nessas condições, do que viver sozinhos (as). Isto porque temem encarar seus medos, inseguranças, vulnerabilidades e fragilidades que herdaram das famílias de origem.

A dependência emocional é doença compulsiva geradora de posturas autodestrutivas e destrutivas, podendo levar o (a) dependente a entrar em um processo de deterioração da percepção da realidade. Um exemplo é acreditar que realmente merece ser maltratado (a), porque foi assim que ele (a) vivenciou os maus-tratos sofridos por seu pai ou sua mãe, avôs ou avós.

Muitas vezes, ao trabalhar a compulsão da dependência, a pessoa acaba transferindo-a para outro vício, como o álcool ou tabagismo. Depois, transfere para, por exemplo, a prática excessiva de exercícios físicos ou ao consumo desmedido de alimentos, como formas de compensação.

Importante salientar que substituir a dependência emocional por outra coisa não leva à cura, nem à minimização dela. A pessoa só consegue saber se está curada quando voltar a se relacionar com alguém, sem repetir os mesmos erros. Dependendo do grau dessa dependência, apenas o apoio de um profissional pode ajudar a pessoa a encontrar novos caminhos, posturas e ações para ter uma relação saudável, sem vícios.

Mas e você? Como está o seu relacionamento?

Se quiser avaliar a sua relação, realize este teste:


Convide seu (sua) parceiro (a) para uma viagem no fim de semana, de preferência em um período chuvoso e com muito frio. Caso tenha filhos, deixe-os com amigos ou familiares. Proponha não usar o celular, nem assistir TV ou ler livros. Também combinem que não vão conversar sobre filhos, trabalho ou qualquer outra coisa que fuja do tema principal: vocês dois. Saiam para caminhar. Ao final do terceiro dia, façam um balanço de como foi ficar juntos e exclusivamente focados um no outro. Como cada um se sentiu estando a sós com a pessoa que elegeu para amar. Foi uma redescoberta? Gerou aproximação e muito diálogo? Criou-se um novo espaço qualificado para abrir sentimentos e falar de descontentamentos? Ou foi um tédio e cada dia parecia um fardo? As conversas acabavam em discussões e acusações? Não se teve entendimento, mas, sim, troca de mágoas?


Depois das conclusões é preciso que, honesta e sinceramente, ambos se coloquem sobre o que desejam para si e para a relação. Só assim será possível entender se o que se sente é amor ou dependência.

Para encerrar nossa conversa, cito uma frase do escritor e poeta Rubens Alves: “Imagine você daqui a 10, 15 ou 25 anos, deitado em uma rede, no alpendre de sua casa, junto com essa pessoa. O que vocês estariam conversando?

Rubens Alves dizia:Tem carinhos que se fazem com as mãos e tem carinhos que se fazem com as palavras“.

Caso precise de ajuda para resgatar ou fortalecer sua relação, estamos aqui! Basta entrar em contato.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Dependência emocional: o vício de amar
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