TOPO_066

O silêncio não deixa de ser uma forma de comunicação, um tipo de comportamento. Aquele telefonema que você se prometeu fazer para cumprimentar o seu amigo pelo aniversário e não fez, é um tipo de comunicação, uma expressão do comportamento.

Vejamos o silêncio sob três aspectos:

  1. autorreflexão e autoconscientização;
  2. como um possível distanciamento emocional/relacional;
  3. como possibilidade de reconstrução das relações interpessoais.

De um modo geral, o silêncio traz um mal-estar e desconforto para relações interpessoais, sejam elas conjugais, familiares, sociais ou profissionais. A pessoa que se cala imagina que não está expressando nenhum tipo de comportamento. Na autorreflexão e na autoconscientização, a pessoa avalia os seus 50% de responsabilidade no que desencadeou o conflito interpessoal e gerou a mudez.

Ao pensar no silêncio como uma forma de distanciamento emocional e relacional, é importante que as pessoas envolvidas no conflito observem como estava o padrão relacional afetivo antes do surgimento da crise. O momento silencioso pode ser desagregador ou reestruturador.

Por último, a reconstrução e restauração da comunicação desse pacto mudo irão depender do grau de desenvolvimento e amadurecimento emocional das pessoas envolvidas e das possíveis aprendizagens adquiridas com os erros e equívocos presentes na forma como ambos interpretam as visões de mundo e naquilo que os levou a optar pelo pacto silencioso.

Nas relações familiares ou conjugais, por exemplo, o silêncio pode ser uma excelente ferramenta para negociar angústias, ansiedades e dúvidas. Quem não sabe ficar em silêncio, não sabe escutar a voz das próprias intuições, sensibilidades e, até mesmo, dos batimentos cardíacos frente suas diversas experiências emocionais.

Não saber usar o silêncio como fonte de aprendizagem e enriquecimento emocional é o mesmo que correr da própria sombra. Nas relações interpessoais, o silêncio pode ser uma forma de negociação pacífica, uma vez que a pessoa não sabe o que está se passando na mente da outra, uma excelente chance para se negociar questões que incomodam, reaproximando-se, sem rancor, raiva, prejulgamentos e preconceitos.

Lembre-se: somos todos eternos aprendizes.

Esse outro silencioso pode ser a sua chance de você se conectar consigo mesmo. Se você não sabe ficar em silêncio, pode se tornar uma presa fácil das próprias angústias e ansiedades não resolvidas junto às pessoas que ama.

Faça uma pequena reflexão e veja como você usa o seu silêncio. Dê uma nota de 0 a 10 a esse comportamento.

Boa sorte e espero vocês aqui na próxima semana!

Sebastião Souza

O Silêncio: Reestruturador ou desagregador das relações interpessoais?
WhatsApp Chat
Enviar pelo WhatsApp