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A lente que dá o colorido ou deixa em preto e branco os nossos relacionamentos atuais depende da forma harmônica – ou não – de nossa convivência nas famílias de origem.

Na matriz familiar, estão impressos os diversos aprendizados e padrões de funcionamentos mentais que internalizamos ao longo de nossa infância, adolescência e vida adulta.

Como deixar de ser uma pessoa desconfiada ou “gato escaldado”, uma vez que, ao nos relacionar com amigos, chefes, parceiros (as), irmãos, os sofrimentos e dores físicas e mentais/emocionais que experimentamos nos parecem semelhantes a tudo o que experimentamos até então?

As pessoas desconfiadas ou “gatos escaldados” costumam ter a sensação que estão em um pântano de areia movediça. Procuram um novo emprego, mas encontram os mesmos tipos de chefes. Mudam de parceiros, mas costumam reclamar que trocaram “seis por meia dúzia”. Fazem novos amigos e novamente aparece aquele tipo “chato”, semelhante a algum familiar. Coincidência não pode ser. Tem gente que muda de país, estado ou cidade e os “fantasmas familiares” aparecem do nada, como se fosse coisa do outro mundo.

As pessoas desconfiadas em geral sofrem por não fazerem a “manutenção” de seus “termômetros emocionais”, medidores de intuição, sensibilidade e de confiança no próximo e em si mesmas.

Costumo dizer aos meus pacientes que todos têm um semáforo interno que regula nossas razões e emoções, com lâmpada vermelha, amarela e verde. Em geral, para melhor atender a demandas da sociedade moderna e agitada, desligamos o nosso semáforo para as emoções, deixando ligado, a todo vapor, o da nossa razão, com explicações e argumentos que, de modo geral, não dizem nada sobre o que estamos sentindo.

Pessoas desconfiadas correm atrás da própria sombra, uma vez que procuram soluções para questões emocionais não resolvidas, usando recursos atuais da razão. Ao manter o semáforo interno desativado ou desligado para as emoções, tendem a fracassar ou aumentar as desconfianças, usando o “remédio” de uma racionalidade desenfreada para curar sequelas emocionais congeladas no passado.

A falta de confiança das pessoas é como um poço sem fundo, fazendo parte das profecias autorrealizadoras. Um exemplo é a moça que tem uma crença de família: ela deve se casar com homem que goste mais dela, do que ela dele.  Este “costume familiar” acaba induzindo-a a não se entregar totalmente ao casamento. Caso a relação passe por uma crise, sua crença é confirmada, afinal, homens não são confiáveis.

Caso você seja uma pessoa desconfiada, está na hora de reativar seu semáforo interno, deixando as emoções, sensibilidade e intuições falar um pouco por você. Afinal, as desconfianças que o transformaram em um gato escaldado estão sendo reatualizadas e reeditadas no presente, justamente porque você não provou do mar de emoções e das novas chances de aprendizagens e amor que a vida lhe oferece todos os dias.

Seja generoso e gentil com você. Tem dias em que água está fria. Em outros, ela pode estar morna ou muito quente. Enfim, o que conta e regula o dom maravilhoso da vida é o que se aprende e o tanto que se evolui em direção ao que se tem de melhor. Entregue-se a quem você elegeu para amar.

Viva e deixe viver aquilo que você tem de melhor e que te faz ser diferente e especial.

Um grande abraço a todos!

Sebastião Souza

Pessoas desconfiadas são como gatos escaldados: têm medo de água fria
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