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Todos nós, em algum momento das nossas vidas, já nos sentimos “tratores”. Ora para nos preservar e sobreviver, ora para nos defender dos sofrimentos físicos e mentais/emocionais que experimentamos em algumas circunstâncias da vida.

Nesses momentos, inconscientemente, desejamos nos transformar em verdadeiras máquinas humanas, excelentes instrumentos para o mundo corporativo, permeado pelo individualismo, competitividade, inveja, em que só sobrevivem os vencedores, os mais fortes e aguerridos.

Existe neste mundo um jargão que diz “ou você é trator ou é estrada”. Nas nossas relações interpessoais, nos casamentos ou na convivência com nossos familiares essa possibilidade de sermos tratores também existe, mas não é saudável.

Em geral, ela se concretiza quando passamos por algumas experiências traumáticas e, inconscientemente, fazemos uma cisão entre as dores e os sofrimentos vivenciados frente a lutos, perdas, separações ou, até mesmo, humilhações e decisões difíceis que temos de tomar.

Em alguns casos a sensação é a de que vamos sucumbir. Nesse momento, nosso organismo pede que ajamos para seguir em  frente,  superando as nossas impotências  e dores inerentes à condição de humana.

Para enfrentar tais sofrimentos e dores, por diversas vezes endurecermos, passando por cima de nossas vulnerabilidades e fragilidades. Um exemplo é a pessoa que se sentiu traída pelo cônjuge e que promete a si mesma nunca mais se entregar a relações amorosas. Para isso, usa excessivamente a razão, evitando qualquer envolvimento. Ela vira uma máquina de desamor sem perceber.

Esse tipo de reação não deixa de ser uma saída, porém, as consequências negativas para a própria pessoa e àquelas que convivem com ela são enormes, uma vez que esse modo de vida gera fantasias na maioria dos processos relacionais nos quais a pessoa-máquina está envolvida.

Transformar-se em um trator humano não deixa de ser um processo de polarização: em um momento a pessoa era aquela que sofria, em outro, ela não deixou de sofrer, mas usa do mesmo veneno que um dia provou para controlar suas emoções e, se possível, a do próximo. Banca a poderosa, quando, na verdade, se sente emocionalmente frágil, usando grande parte de sua energia para controlar as circunstâncias que a vida lhe impõe a todo momento.

Construir a vida usando o modelo de “trator” tem um preço a pagar significativo, porém a desconstrução e a transformação da máquina em um ser humano emocionalmente equilibrado requerem muitos momentos de paciência, acolhimento, amor e afeto da pessoa consigo mesma e daquelas que participam de suas dinâmicas relacionais. O mais difícil nessa desconstrução é a pessoa não perdoar suas “cegueiras emocionais”, o que retroalimenta o seu trator.

Sugiro um exercício para você avaliar até que ponto tem sido uma máquina humana em determinadas situações de sua vida.

Enumere diferentes situações e dê uma nota de 0 a 5 para seu equilíbrio emocional em cada uma delas. Depois, dê nota de 0 a 5 para a sua parte “tratora” nessas mesmas circunstâncias.

Analise em quais delas você é mais autêntico e em quais a máquina toma o lugar da pessoa sensível. Quanto mais próximo do perfil de trator você estiver, mais emoções irá consumir, mais “óleo” seu e trator vai queimar, o que não é saudável ao seu bem-estar nem às suas relações com aqueles que o rodeiam.

Vejo vocês aqui na semana que vem…abraço a todos…

Sebastião Souza

 

Ser trator é fácil. Difícil é ser emocionalmente equilibrado
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