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Todos nós, em alguma fase da vida, bancamos o “bombeiro” para, metaforicamente, “apagar incêndios”, ou seja, questões circunstanciais, inerentes à condição humana. Negar isso é viver de forma inautêntica.

Quem nunca se viu nessa situação, tentando sobreviver, por exemplo, à morte súbita de um ente querido? Ou, ainda, a mãe com filhos que é abandonada pelo companheiro provedor, a notícia de um diagnóstico terminal de uma pessoa próxima ou um processo de separação conflituoso… É possível, inclusive, que alguns bebês já nasçam “bombeiros” em famílias incendiárias e casamentos em que os cônjuges estão morrendo asfixiados pelas mágoas, pelos ódios e rancores.

Provavelmente, nenhum ser humano queira, de fato, passar a vida toda sobrevivendo dessa forma, apagando um incêndio aqui e outro ali.  Talvez muitos sonhem em, um dia, incorporar o lado surfista, que senta na areia da praia, observa o mar e escolhe a melhor onda sob um sol lindo e maravilhoso.

Nadando em paz, ele faz um pacto tácito com a onda e o mar. O surfista usa a prancha como fonte de ligação prazerosa entre o que o mar lhe oferece e sua paz, seu equilíbrio interno, realizando as melhores manobras, sendo ovacionado e admirado pelos amigos ou, simplesmente, sentindo o prazer de ser livre das amarras por alguns segundos. O surfista vive intensamente a plenitude da parceria com a onda, o sol e o mar que a natureza lhe presenteia.

Ser um “surfista” autêntico é uma construção. Ser “bombeiro” nem sempre é uma opção. Na maioria das vezes, são imposições dos conflitos familiares e de relações falidas, inseridos em sistemas políticos, econômicos e sociais perversos e, porque não dizer, desumanos.

Todos reconhecem que a profissão de bombeiro é considerada uma das mais nobres e solidárias do mundo, porque seus personagens arriscam a vida para salvar pessoas, animais e florestas. Guardadas as devidas proporções, o nosso cotidiano não é muito diferente quando, por necessidade, sobrevivência ou aprendizado fazemos esse papel nos relacionamentos interpessoais, familiares, conjugais e profissionais. Algumas vezes, colocamos nossas vidas em risco, cuidando excessivamente das pessoas, esquecendo-nos de nosso bem-estar. Assim, passamos a sobreviver e não mais a viver em paz e com o equilíbrio interno do “surfista”.

“Bombeiro” e “surfista” deveriam ser partes complementares. O “bombeiro”, em ritmo acelerado, na maioria das vezes, traz prejuízos à saúde física e menta/emocional, porque o organismo aprende a trabalhar em alerta, aumentando o grau de ansiedade. Por vezes, pode se tornar um fator desencadeante de doenças autoimunes e psicossomáticas. Ao mesmo tempo, ser um “surfista” o tempo todo nem sempre é saudável – só profissionalmente-, pois,  enquanto  alguém   “surfa” constantemente, talvez outra pessoa tenha de assumir sozinha a função do   “bombeiro”, pagando um preço que não é dela.

Enfim, ser “bombeiro ou “surfista” faz parte da condição humana. No entanto, procure estar em paz consigo mesmo. Algumas vezes os remédios para nossas angústias e ansiedades com relação ao futuro não estão na correria do sobreviver ou na espera e na paciência excessiva pela melhor onda, mas, sim, na forma como cuidamos de nós mesmos e das pessoas que amamos.

Reflita sobre isso e coloque em ação o seu lado “bombeiro” com afeto, mas sem deixar de cuidar do seu lado “surfista”. Aproveite ao máximo o aprendizado que ambas as formas de se colocar nas situações lhe oferecem. Afinal, nem todo incêndio é você que tem de apagar, assim como nem sempre toda onda é boa para surfar. Em outras palavras, os incêndios que atormentam sua alma (psique) só serão debelados quando você aprender a surfar com carinho e amor  no seu mar de emoções.

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Abraço

Sebastião Souza

Tornar-se “bombeiro” é sobrevivência. Ser “surfista” é construção.
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