TOPO_102

Este texto não é para crianças, mas para todos nós, adultos, refletirmos sobre esse personagem da fantasia infantil. Já se perguntou como o mundo seria se cada ser humano fosse como o velho barbudo e bonzinho?

O legendário morador do Polo Norte não é preconceituoso, não faz discriminação entre crianças, adolescentes, adultos ou idosos; entre brancos, negros e qualquer outra raça, gênero, status.  O seu papel no mundo, que se restringe a dezembro, é acordar a solidariedade que, em muitas almas, permanece hibernando até que essa fase de festas aconteça.

Imagine ser Papai Noel o ano todo! Ter amor pra dar aos montes, ouvir os sonhos e desejos das pessoas com uma escuta afetiva, ir às casas de quem se sente só para presenteá-la com amizade. Se fosse assim, será que a violência estaria tão presente na sociedade de hoje?

Papai Noel pode ser nosso espelho todos os dias, meses e anos. Ao construir projetos de vida que priorizem o próprio umbigo, nos afastamos da imagem de bonachão e boa pessoa que o lendário velhinho nos passa. Ser agressivo e intolerante com o nosso próximo, rejeitar as diferenças, banir os já socialmente excluídos é o avesso de Noel.

No ano que vem, podemos assumir esse lado Papai Noel nos 365 dias.  Basta deixar fluir sentimentos que moram na gente, mas que nem sempre cultivamos, como a solidariedade, a compaixão, o ser fraterno. Esses sentimentos, quando não utilizados, acabam cercados por ervas daninhas, como o egoísmo e o preconceito.

Por isso, ame, faça gestos de carinho e afeto, não só para seus entes queridos, mas para todos aqueles que você considera como seu semelhante e que merecem o seu olhar de reconhecimento como parte necessária a uma sociedade em constante evolução.

Veja no outro, muitas vezes tão diferente de você, um presente especial do Criador, para continuar nossa empreitada coletiva. Porque a vida, nosso maior dom, só tem sentido na interação com o próximo, ou seja, no respeito às pessoas que amamos, aceitamos, respeitamos.

Sim! O Papai Noel existe em você, em mim, em todos nós. Cada um o enxerga de um jeito. Muitos o espelham na imagem do Criador, que é onisciente e onipresente. Seja Noel, seja Deus que o mobiliza, lembre-se que ele só pode estar na sua vida se morar no seu coração.

Mas não tem sentido mantê-lo preso. É essencial que você distribua esse Deus, esse seu lado Noel, por meio de afeto, abraços, fraternidade. Este é o melhor presente, ou seja, fazer-se atuante na vida do outro e do mundo, exercitando o seu lado mágico e divino que só o amor é capaz de mediar.

Pequenos atos podem mostrar o quanto de Papai Noel existe em você. Evitar discórdias, doar seu tempo para escutar, dizer palavras carinhosas para quem sofre, ser solidário com a dor do outro são manifestações diárias do seu jeito de “bom velhinho”.

Nossa forma de ver esse personagem natalino representa, concretamente, a maneira como vivemos nossas relações interpessoais, conjugais, familiares, sociais e profissionais.

Não é só no Natal que presenteamos nosso semelhante, mas na forma que o colocamos em nossa história de vida. O outro como receptor do presente é apenas a efetivação daquilo que acredito se passar na minha alma (psique), a minha referência do que é a vida.

Por isso, é essencial doar-se, seguir o coração, afinal, histórias construídas entre você e seus semelhantes podem ser um indicador de sua evolução emocional e espiritual. Passar do estágio de quem sempre que receber e ser um doar denota um desenvolvimento significativo da sua existência.

Não deixe morrer o “bom velhinho” que existe em você.

Cuide-se com muito amor para que possa dar ao outro presentes preciosos, como afeto, entendimento e aceitação.

Ho!Ho! Ho! Feliz Natal pra você e todos os que você ama!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Você tem muito de Papai Noel, sabia?
YouTube
Siga-nos por Email