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Muitas pessoas nunca tiveram a possibilidade de experimentar certos sentimentos. O de admiração, por exemplo, segundo o filósofo grego Platão, antecede o do amor. Quem ama admira, se espanta e se surpreende com o outro.

A ADMIRAÇÃO ilumina o coração de quem ama e dá vida à pessoa admirada. É o encontro da paz e harmonia interior, enquanto o mundo lá fora vive o caos.

Já a INDIFERENÇA é a perda, o luto e a morte do ser amado em vida. É sentir um tormento a cada segundo, minutos, dias e anos perto de quem ama e admira, sem poder fazer nada. A impotência total frente a um sentimento que se esvazia.

INDIFERENÇA é desconstrução e destituição, a conta gotas, de quem ama por aquele que não o corresponde. É uma dor insuportável, na maioria das vezes, imperceptível e irreconhecível para a pessoa destituída.

ADMIRAÇÃO e INDIFERENÇA são como água e óleo: não se misturam. Quem admira traz luz. O indiferente é parceiro da escuridão.

Quando refletimos sobre a nossa vida interpessoal, conjugal, familiar e profissional, quase sempre nos perguntamos como foi possível perder a ADMIRAÇÃO por essa ou aquela pessoa que, em outros tempos, tanto admirávamos.

A INDIFERENÇA é silenciosa, cruel, como uma doença grave assintomática, porque só se manifesta quando não tem mais cura.

Muitos namoros, noivados, casamentos, relações familiares e profissionais estão sendo envenenados pelos germes da indiferença.

Mas, então, o que fazer?

Cuide para que os processos relacionais, de quaisquer ordens, não se tornem indiferentes. Quando isso se dá, significa que a desilusão e a desesperança já se instalaram no seu coração.

Não se deixe esvaziar de compaixão e solidariedade pelo seu próximo para não morrer em vida.

Reveja-se sempre, especialmente quando sentimentos a apatia surgir com certa frequência nas suas manifestações relacionais.

Faça as seguintes perguntas para você mesmo:
1. Qual foi a sua contribuição para que a admiração se transformasse em empobrecimento emocional e depois passasse à indiferença em determinada relação?
2. Será que você Idealizou demais essa relação?
3. Você foi excessivamente ingênuo e admirou quem, no seu ponto de vista, não merecia ser admirado?
4. Você projetou questões não resolvidas em outras pessoas de sua convivência?
5. Ou, ainda, você se colocou como modelo, a partir dos seus valores, crenças e paradigmas, como referência para agir no mundo sem considerar as experiências alheias?

A INDIFERENÇA pode surgir quando nossas relações se tornam patológicas, quando passamos a nos autorreferendar como modelo de vida a pessoas que amamos e nos relacionamos.

Por isso, é importante compreender que cada pessoa tem o seu tempo de evolução e amadurecimento emocional. Exigir que ela veja da mesma forma que vemos, sem estar preparada, pode se transformar em uma atitude de desamor.

Lembre-se: o desamor, na maioria das vezes, é contagioso e leva à indiferença. Se você está indiferente em algum processo relacional, fique alerta. A indiferença tem “efeito bumerangue”. Na maioria das vezes, volta para quem a desenvolveu. Por isso, não deixe esse “vírus emocional” contaminar você.

Um abraço a todos.

Sebastião Souza

A indiferença é construída gota a gota. A admiração é como o amor à primeira vista.
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