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Na primeira parte deste artigo, conhecemos o pai de meu amigo Landim, um senhor desprovido de conhecimentos teóricos, mas repleto de sabedoria, valores e ética.

Hoje continuaremos essa história. Uma maneira singela, mas muito sincera de homenagear todos os pais que se dedicam a amar e orientar seus filhos.

O pai de meu amigo, segundo ele, era um caboclo sistemático, gente como a gente. Gostava de viver intensamente. Com 91 anos, falava para todo mundo: “Deus é bondoso comigo, sempre orientou minha vida e da minha família. Sei que sou um bom aluno e por isso tenho alguns créditos com o Criador”.

Essa crença de que tinha créditos com Deus o levava a pedir favores: “Quero morrer antes daqueles que amo, meus filhos, netos, bisnetos, esposa…” E foi assim que aconteceu. Como disse meu amigo, seu pai era um homem sortudo!

Também o considerava “sangue bom”, mas, talvez, um pouco pretensioso ou, ainda, tão bondosamente ingênuo a ponto de se achar “o cara” e imaginar que tinha uma “caderneta de poupança” de créditos de Deus. Dá para acreditar nisso?

Landim conta que, em umas de suas caminhadas matinais, ele e seu pai entraram na igreja para assistir à missa. Como não estavam com roupas adequadas para aquele evento, ou seja, vestiam bermudas, camisetas regatas velhas, surradas, chinelos de dedo, comentou com o pai: “O senhor não acha esquisito entrarmos na igreja mal vestidos para missa? Todo mundo está arrumado e bonito”. Mal acabou de falar, o seu interlocutor respondeu: “Já te falei! Deus dá um desconto, pois eu tenho crédito lá em cima”, abrindo um sorriso maroto com o canto da boca.

Landim contou que seu pai pediu para ele ir devagar pela vida. Que, de preferência, vivenciasse intensamente cada história construída com as pessoas de seu convívio, pois essas trajetórias são formas de mantermos vivos aqueles que amamos, mesmo quando partem.

Em determinado momento, Landim desabafou: “Não sei se também tenho a honra de colecionar créditos de Deus como meu pai dizia ter e morrer antes de meus filhos, netos, esposa e alguns amigos”. Mas de uma coisa ele tinha certeza: estava tentando ser melhor a cada dia, como ser humano, marido, pai, filho e avô. Sempre procura seguir o conselho de seu velho pai, pedindo a Deus para contabilizar seus créditos, se é que tem sido um bom aprendiz.

Rimos juntos quando nos demos conta de que Landim estava parecendo o pai. “Nem sei se Deus tem banco! Se tiver, vai que meu nome está sujo, no Banco Central do Criador (BCC)”.
“Pensando bem, se não fosse meu pai, eu não estaria aqui para contar essas pequenas histórias. Por isso, sou eternamente grato a ele e a Deus”, completou, ficando sério novamente.

Com o horário avançando, Landim resolveu encerrar a conversa: “A prosa está boa, mas tenho que continuar trabalhando. Vai que esse negócio de crédito com Deus é verdade… Quem sabe faço uma poupança que irá me ajudar no futuro?”

Despedimos com um abraço apertado, quando ele me falou ao ouvido:

Cuide do seu pai, mesmo que ele não esteja presente entre nós, pois ele vive em você a partir das histórias que construíram juntos. Procure ser harmônico e feliz, construa as mais variadas histórias com as pessoas que você ama, porque, no final, elas é que contam”.

A todos os pais deste Planeta, um feliz e abençoado dia, com muitas e boas histórias para compartilhar!

Sebastião Souza

Pai: um ser dotado de muita expertise – parte 2
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